Veja iniciativas para proteger os bichinhos nas ruas e em casa

Veterinários dizem que os pets sentem tanto frio quanto nós. ONGs, prefeituras e iniciativas individuais têm olhar especial para os animais que não têm abrigo.

Belo Horizonte bateu recorde de frio do ano nesta semana, e todo mundo tirou os casacos e cobertores do armário. Mas e o seu pet? Está lembrando de manter ele quentinho também?

Para muita gente pode parecer bobagem, mas os especialistas afirmam que eles sentem tanto frio quanto nós. A veterinária Maristela Pimentel explica que é importante adaptar o ambiente no tempo de frio. Para os gatos, é bom espalhar pela casa cobertas, edredons, e toquinhas, que podem ser feitas com caixas de papelão.

“Já os cães, principalmente os mais idosos, podem usar roupas. Tem animal que gosta, outros não. A dica é tentar comprar uma roupa que não fique apertada e ir observando o tecido que deixa o pet mais confortável”, diz a veterinária.

Mas ainda tem muito cão e gato que vive na rua. Só na capital, são cerca de 40 mil, segundo a prefeitura. E iniciativas de grupos e até individuais estão ajudando a amenizar o sofrimento que o frio traz pra esses bichinhos.

No Buritis, região Oeste de BH, é possível encontrar quatro casas caixas grandes, de madeira, bem cobertas com plástico. Tem ração, água e, às vezes, um pouco de carinho.

“A gente faz resgates, mas neste momento estamos sobrecarregados. Então essas casas são boas porque os animais passam por ali, comem, se abrigam. E os moradores também ajudam, deixam ração, cobertas. A gente vai também criando uma rede de ajuda no bairro”, diz Fernanda Castro, uma das fundadoras do Buri Dogs, grupo de ajuda aos animais do bairro.

Fernanda diz que todo mundo pode ajudar. E dá a dica: se você anda de carro, deixe uma caixa de papelão, forrada com jornal ou um paninho, e ração dentro do porta-malas. Viu um cão ou gato na rua numa noite fria e não pode resgatar? Deixe a caixinha lá, num cantinho. Já vai garantir um pouco de alento para animais que passam frio e fome.

Caixas d’água adaptadas

Em Sabará, uma iniciativa do Marcelo Rocha, que trabalha no Centro de Controle de Zoonoses da cidade, começou pequena e hoje já ganhou apoio da prefeitura e da comunidade. Caixas d’agua, de amianto, quebradas e descartadas pela população, são recolhidas e transformadas em casinhas para animais que estão nas ruas.

Segundo o Marcelo desde o início do projeto já foram feitos 52 abrigos e 20 estão em fase de finalização.

“A ideia é ampliar ainda mais a produção de abrigos para acolher os animais, principalmente em períodos mais frios do ano, como agora”, conta.

Marcelo ainda fala da satisfação em garantir o acolhimentos dos bichinhos. “É um trabalho voluntário, que requer muita dedicação e amor pelos animais. Cada abrigo que fica pronto é uma alegria enorme. Sabemos que estamos salvando vidas com essa iniciativa”, comemora.

Alegria que a comerciante Zélia Boaventura e Silva diz que sente há 10 anos. Ela também ajuda os animais que não têm onde se abrigar.

Dona de uma vidraçaria numa das ruas mais movimentadas do bairro Alvorada, em Contagem, ela deixa sempre água e ração na porta da loja. E de noite, na hora de fechar, alguns cães gatos ficam por lá.

“Passam lá na porta todos os dias, em média, uns 30 animais. Eles comem e até dormem. Eu deixo eles ficarem abrigados lá de noite, especialmente quando está frio”.

Zélia cuida dos animais feridos, leva até alguns para casa. Já conseguiu adoção pra outros. Mas destaca a importância de todo mundo ajudar. “Essas coisas parecem pequenas, mas todo mundo pode fazer.”

ONG precisa de doações

A ONG Cão Viver, que fica em Contagem, na Grande BH, abriga hoje 140 animais. São cães e gatos como o Adonis e a Viviana, da foto abaixo, que vivem em canis e gatis. Como o local é fresco e arborizado, nesta época é preciso adaptar os espaços.

Por isso, a ONG já começou uma campanha para arrecadar jornais e cobertores.

De acordo com a Tatiana Peixoto, que é voluntária no projeto, as doações de jornais e cobertores salvam vidas.

“É extremamente necessário mantermos os canis e gatis forrados com jornal e cobertor para evitarmos que os animais fiquem resfriados. Se não tiver cobertorzinho, aceitamos jornal, tecidos quentes e caixas de papelão pequenas para os gatinhos”, diz ela.

fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/05/16/em-semana-de-recorde-de-frio-em-bh-veja-iniciativas-para-proteger-os-bichinhos-nas-ruas-e-em-casa.ghtml